Transplantes de Órgãos no Brasil
O primeiro transplante de órgão sólido foi realizado no Brasil em 1968. Com o passar dos anos, a prática foi sendo aperfeiçoada e o índice de doação e transplante de órgãos vem aumentando significativamente.
Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2010, foram realizados 21.040 procedimentos, ante os 20.053 procedimentos realizados em 2009. Cirurgias dos chamados órgãos sólidos - coração, fígado, pulmão, rins e pâncreas - tiveram aumento de 7%, enquanto os transplantes de medula óssea cresceram 10% no período.
Mas, mesmo com resultados tão favoráveis o número ainda é pequeno e, atualmente, mais de 60 mil pessoas estão em lista de espera para receber um órgão.
Ano |
Total de órgãos sólidos, tedicos e células |
2003 |
12.722 |
2004 |
14.175 |
2005 |
15.570 |
2006 |
15.788 |
2007 |
17.428 |
2008 |
18.989 |
2009 |
20.253 |
2010 |
21.040 |
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Identificação do Potencial Doador |
A identificação do potencial doador de órgãos acontece, quase sempre, numa Unidade de Terapia Intensiva e as pré-condições para essa detecção são: coma profundo, coma de causa conhecida e ausência de respiração. Essa identificação é o primeiro passo de todo o processo de doação e transplante.
Ano |
Doadores Efetivos |
Índice de Doadores (PMP) |
2003 |
893 |
5,00 |
2004 |
1232 |
6,80 |
2005 |
1078 |
5,88 |
2006 |
1109 |
5,98 |
2007 |
1150 |
6,13 |
2008 |
1317 |
6,95 |
2009 |
1658 |
8,70 |
2010 |
1896 |
9,90 |
Fonte: Ministério da Saúde
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Diagnóstico de Morte Encefálica |
A morte encefálica, segundo a Resolução 1.480/97 do Conselho Federal de Medicina (CFM), é definida como a parada total e irreversível da atividade do tronco e hemisférios cerebrais. É a parada completa e irreversível de todas as funções do cérebro causada por trauma do crânio encefálico, acidente vascular encefálico hemorrágico ou isquêmico, encefalopatia anóxica e tumor cerebral primário.
Causas |
% |
Trauma craneano
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50% |
AVC |
40% |
Encefalopatia pós-anóxia |
5% |
Tumor cerebral |
2% |
Outras |
3% |
Na morte encefálica o paciente apresenta situação clínica em que, devido a uma lesão irreversível do cérebro, há coma aperceptivo com ausência de atividade motora supra-espinal e apneia.
Mas, diagnosticar corretamente a morte encefálica é um dos principais desafios do médico intensivista, sendo necessária a realização de exames clíniconeurológicos e um exame gráfico complementar. |
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Exames de Comprovação de Morte Encefálica |
Ainda segundo a Resolução 1.480/97 do CFM, a morte encefálica será caracterizada por meio da realização de exames clínicos e complementares durante intervalos de tempo variáveis e próprios para determinadas faixas etárias.
Os intervalos mínimos entre as duas avaliações clínicas necessárias para a caracterização da morte encefálica serão definidos por faixa etária, conforme especificado:
a |
de 7 dias a 2 meses incompletos |
5,00 |
b |
de 2 meses a 1 ano incompleto |
6,80 |
c |
de 1 ano a 2 anos incompletos |
5,88 |
d |
acima de 2 anos - 6 horas |
5,98 |
Os exames complementares a serem observados para constatação de morte encefálica deverão demonstrar de forma inequívoca:
a) ausência de atividade elétrica cerebral ou,
b) ausência de atividade metabólica cerebral ou,
c) ausência de perfusão sanguínea cerebral.
Art. 7º. Os exames complementares serão utilizados por faixa etária.
a) acima de 2 anos - um dos exames citados no Art. 6º, alíneas "a", "b" e "c";
b) de 1 a 2 anos incompletos: um dos exames citados no Art. 6º , alíneas "a", "b" e "c". Quando optar-se por eletroencefalograma, serão necessários 2 exames com intervalo de 12 horas entre um e outro;
c) de 2 meses a 1 ano incompleto - 2 eletroencefalogramas com intervalo de 24 horas entre um e outro;
d) de 7 dias a 2 meses incompletos - 2 eletroencefalogramas com intervalo de 48 horas entre um e outro. |
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Entrevista com a família |
Comunicar a morte de um paciente à sua família é sempre um momento envolto em emoção, mas inevitável para o intensivista e sua equipe, uma vez que a família, por mais grave que seja a situação do parente internado, alimenta esperanças pela cura. Mas, a partir do diagnóstico da morte encefálica do potencial doador de órgãos, a família de ser informada.
No momento da abordagem, que deve ser clara e objetiva, a família deve ter acesso a todas as informações e esclarecimentos sobre a irreversão da morte encefálica e possibilidade do consentimento para a doação de órgãos.
A família deve ter todas as dúvidas em relação à doação de órgãos sanadas e o médico deve transmitir segurança ao passar as informações, enfatizando a segurança envolvida em todo processo, a preservação dos aspectos do corpo do paciente falecido e os benefícios que a doação pode trazer a um número considerável de pessoas que encontram-se na fila de espera por um órgão sadio.
A partir do aceite para o transplante, todos os esforços devem ser feitos para que não haja perda de doadores.
O Processo doação - transplante
| Possível doador (70 pmp) |
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não identificado: |
57% |
| Potencial doador (30 pmp) |
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contra-indicação médica
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34% |
não autorização familiar |
28% |
outras causa |
16% |
| Doador efetivo (6,2 pmp) |
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9% dos possíveis doadores |
21% dos potenciais doadores |
| Doador de múltiplos órgãos |
Fonte: Ministério da Saúde |
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Manutenção do Potencial Doador |
Manter o potencial doador de órgãos em boas condições para a efetivação do transplante é outro grande desafio do médico intensivista, uma vez que o manuseio desses doadores costuma exigir uma série de cuidados por parte da equipe, que deve observar uma série de aspectos que vão da manutenção da temperatura corporal, passando pela realização de exames laboratoriais, suporte hemodinâmico e administração de drogas para controle.
No item exames laboratoriais uma série de avaliações devem ser realizadas com o objetivo de descartar doença transmissível (neoplasia, infecção) e ainda para promover o estudo morfológico e funcional de cada órgão que será doado, uma vez que alguns tipos de infecção contra-indicam a doação do órgão e posterior transplante.
Deve-se observar ainda a história clínica do paciente, investigando-se as doenças pré-existentes, hospitalizações prévias, consumo habitual de medicações, álcool e fumo, adição a drogas etc. Paralelamente deve-se realizar exames clínicos para verificação da presença de lesões cutâneas, tatuagens e exame de peso e altura.
Nas Diretrizes redigidas pela AMIB fica claro que é fundamental a proatividade na instituição das medidas de manutenção o mais breve possível, garantindo assim a oferta tecidual de oxigênio (DO2), manter as funções orgânicas de acordo com metas terapêuticas definidas e reverter eventuais disfunções orgânicas. O atraso na restauração da DO2 está diretamente relacionado ao aumento da resposta inflamatória que resulta em prejuízo no aproveitamento de órgãos para transplantes.
No período pré-doação o intensivista e sua equipe ainda devem estar prontos para realizar manobras de reversão de disfunção cardiovascular, déficit de oxigenação, eventuais infecções bacterianas, hipotermia, distúrbios hidroeletrolíticos, alterações metabólicas de natureza endócrina, renal ou hepática, distúrbios de coagulação e de qualquer outra alteração orgânico tratável. |
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